As Cerimônias Tradicionais
As fotos cerimonias referem-se ao Membro Graduado Luis Augusto que atualmente é discípulo de Sifu Moy Ka Lai To(Geraldo Monnerat).
A Tradição das Artes Marciais Chinesas , mantida viva através do Ving Tsun Kung Fu(WingTsun ou Wing Chun, informalmente).
Ao longo da história da humanidade, pessoas especiais se destacaram por sua capacidade de realização única. Esta habilidade de transformar a vontade em ação pode ser chamada de Poder.
Quando essa vontade estava ancorada numa capacidade perceptiva superior e no equilíbrio entre sentimento de zelo pessoal e coletivo, essas pessoas alcançavam um estado de consciência que pode ser chamado de Liderança.
Assim, um autêntico líder é uma pessoa com capacidade de realização única com consciência de beneficiar outros através de suas habilidades.
No entanto, os líderes logo perceberam que o maior benefício a ser oferecido era desenvolver naqueles que o seguiam as mesmas habilidades que o fizeram especial.
Estes líderes desenvolveram métodos para materializar a energia 氣 (Hei) em domínio físico (Ging Lek). Alguns denominam em mandarim de Chi Kung
Num corpo saudável, o Hei deve circular suave e intensamente, devendo estar sempre equilibrado. O cultivo individual da energia consiste na atenção que a pessoa deve ter, para neutralizar qualquer influência que venha a desequilibrar a circulação de Hei, quer seja estagnando ou acumulando em excesso numa determinada área.
O Hei pode ser transferido de um corpo para outro, podendo um corpo ser energizado pelo comprometimento, fidelidade e sentimento de zelo, gerado pelo espírito de grupo.
Nos primórdios da História do Sistema Ving Tsun, a Cerimônia de Admissão, em chinês denominada HOI KUEN SIQ (開 拳 式) , literalmente, Cerimônia de Iniciação à Prática Marcial, era a consolidação da Cerimônia de Discipulado, em chinês, denominada PAI SI (literalmente, Reverência ao Mestre).
O cuidado na transmissão dos ensinamentos era de suprema importância para todos os Moon-Phai(Família ou ramificação de uma linhagem ou descendência), visto que as técnicas aprendidas poderiam desencadear processos de transformação nos núcleos mais profundos do praticante.
Aceitar pessoas erradas como discípulos era um problema dos mais delicados. Conseqüentemente, os mestres tinham uma preocupação extrema em aceitar somente pessoas com destacada retidão moral.
Nos tempos antigos, quando o Moon-Phai era pouco desenvolvido, os mestres tinham que ser extremamente rigorosos.
Mesmo hoje, em Moon-Phai tradicionais, alunos não são aceitos automaticamente. Eles passam por uma série de triagens até a cerimônia de formalização do ingresso na Família-Kung-Fu.
A relação Si-To era iniciada a partir desta cerimônia. Normalmente acompanhada de seus pais e com roupa formal, o candidato visitava o Mo-Kwoon para uma entrevista formal com o mestre, que era presenteado com uma apropriada oferenda de registro, muitas vezes representada pelo Hung Bao.
Por seu comportamento inadequado, um mal praticante podia embaraçar severamente um mestre e seu Moon-Phai, ferindo ou matando alguém, fato que o transformava numa ameaça séria para a sociedade e a reputação do mestre.
À medida que o Moon-Phai foi se sofisticando, foram desenvolvidos dispositivos de autoproteção. Assim, praticantes tinham acesso ao conhecimento na medida de sua evolução, independentemente da vontade do mestre ou do discípulo. Em outras palavras, não havia meios de pegar atalhos na prática da verdadeira arte marcial chinesa.
Mesmo hoje, em Moon-Phai tradicionais, alunos não são aceitos automaticamente. Eles passam por uma série de triagens até a cerimônia de formalização do ingresso na Família-Kung-Fu.
Da mesma forma, quando a transmissão era realizada por pessoas desqualificadas, passando os ensinamentos de forma parcial, estes perdiam seu efeito mais profundo, transformando-se somente em mera atividade física. Por este motivo, era crucial a escolha de um bom Si-Fu para dominar o gesto do Combate (virtual) e transcende-lo para uma forma arquetípica, hoje denominada “Inteligência Marcial”. Assim torna-se fundamental a iniciação correta para o ingresso dentro de um Moon-Phai tradicional.
EM HONG KONG
Com a introdução do Ving Tsun Kung Fu em Hong Kong, em 1950, os tempos difíceis forçaram a simplificação das cerimônias, ou até mesmo a sua extinção. Particularmente o PAI SI foi simplificado ao máximo e muitas vezes era dispensado.
No caso do HOI KUEN, era comum o Patriarca Yip Man designar aos discípulos mais antigos a responsabilidade deste procedimento junto aos iniciantes. Quando o jovem Moy Yat formalizou seu ingresso na Família Yip Man, aos 19 anos, o responsável para proceder ao seu HOI KUEN foi um dos principais Membros do Corpo Docente, Mak Po.
Atualmente, Grão-Mestre Mak mora em San Francisco, nos EUA.
No entanto, como estas cerimônias e procedimentos fizeram parte da sociedade chinesa por tantos séculos, mesmo sua simplificação ou extinção não impediu que o sentimento de comprometimento e fidelidade dos praticantes fossem preservados.
No livro “A Legend of Kung Fu Masters”, Grão-Mestre Moy Yat recordou seu período de aprendizagem em Hong Kong, citando passagens daqueles difíceis momentos para todos os chineses.
“… Este grupo formava o Estilo Ving Tsun de Hong Kong. Era por volta de 1950, quando havia muitos refugiados da China Continental. Alguns usavam Hong Kong como uma porta de saída para o estrangeiro (Taiwan, Europa, EUA). Outros preferiram estabelecer-se lá.Era o caso de Yip Man “.
Muitos tinham interesse em ingressar nesta particular ‘Família Kung-Fu’. Todos os ‘Irmãos Kung-Fu’ demonstravam amor, calor humano e um interesse comum na arte do Ving Tsun. Muitos se identificavam mais com a ‘Família Kung-Fu’ do que com suas famílias naturais. Esta relação tornou-se tão forte que eles evitavam usar seus sobrenomes de família e adotavam nomes curiosos entre si.“
NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
Com a introdução do Ving Tsun Kung Fu no Ocidente, Grão-Mestre Moy Yat preservou o conceito tradicional ao fundar a Moy Yat Ving Tsun Kung Fu Special Student Association, ou seja, a Associação dos Discípulos da Moy Yat Ving Tsun Kung Fu.
Sentiu, contudo, a dificuldade do estrangeiro em compreender a importância do comprometimento pessoal para a prática de uma arte marcial viva como Ving Tsun e os valores familiares que estruturavam o conceito de Moon Phai.
Assim, permitiu que o comprometimento viesse progressivamente através da compreensão da filosofia das Artes Marciais. Assim, até o dia de sua aposentadoria oficial em 28 de junho de 1997, os Alunos passaram a realizar o HOI KUEN antes do PAI SI. Estes praticantes eram chamados de Regular Students, em Chinês denominados Todai.
Após a adoção do Nome-Kung Fu, o que formalizava a aceitação do Regular Student na Família Moy Yat, quer seja através do PAI SI ou não, o praticante era considerado Special Student ou Disciple, em Chinês denominado Daigee.
A exemplo do que acontecia em Hong Kong, muitas vezes, Grão-Mestre Moy Yat designava seus principais discípulos para iniciar a prática marcial de iniciantes. Mestre Benny Meng, curador do Ving Tsun Kung Fu Museum, cita em seu livro “The Voice of Ving Tsun” que ao ingressar na Família Moy Yat, teve a honrar de ser iniciado pelo filho de Grão-Mestre Moy Yat, Mestre William Moy.
Para aqueles que compreendiam a natureza do aprendizado do Ving Tsun, o HOI KUEN era suficiente para iniciar o processo de sintonia.
Para uns, somente após a formalização da entrada na Família Moy Yat, este processo era despertado.
Infelizmente para outros, nem mesmo a Cerimônia de Discipulado despertou a sintonia necessária para o seu desenvolvimento pessoal.
NO BRASIL
Nunca o Ving Tsun Kung Fu esteve tão globalizado como hoje.
Nunca o Kung Fu Ving Tsun foi preservado num momento histórico de tranqüilidade social como hoje.
Nunca o Ving Tsun foi praticado por tantos estrangeiros como hoje.
O Desenvolvimento do Wing Chun no Brasil e em Niterói, Rio de Janeiro, está ocorrendo neste contexto.
Desde sua fundação em 8 de agosto de 1988, a Família Moy Yat Sang tem alcançado conquistas únicas.No entanto, é justamente nestes momentos que esquecemos dos valores tradicionais do Kung Fu. De seu desenvolvimento, baseado no impossível.
De seu apogeu num momento de maior crise que a China conheceu. De seu miraculoso renascimento em Hong Kong. Por isso, a sintonia com o Moon-Phai, nos momentos de hoje, é mais difícil do que nunca.
A Cerimônia de Admissão na Família Moy Yat Sang é baseada na experiência única de Mestre Léo Imamura.
Ao ingressar na Família Moy Yat, ele teve o raro privilégio de ser iniciado pelo próprio líder da família, Grão-Mestre Moy Yat. Este fato ímpar permitiu com que ele sintonizasse com o Moon Phai, proporcionando um especial interesse em estudar a importância da Cerimônia de Admissão e os procedimentos necessários para suprir a inversão entre o HOI KUEN e o PAI SI.
Desta forma, meu Sifu Leo Imamura, (Sigung de meus todai) decidiu iniciar cada novo membro pessoalmente através da Cerimônia Tradicional que normalmente é realizada quando de sua presença em cada Núcleo, ou Estado, geralmente por ocasião da realização dos "Wing Chun Training Camp"
Nosso Diretor do Núcleo Niterói, Sifu Geraldo Monnerat, teve o privilégio de realizar seu PAI SI pessoalmente com Grão-Mestre Moy Yat e sua Senhora Helen Moy, tendo como Mestre de Cerimônias Sipak Mong San Chien (Mestre Benny Meng, curador do Ving Tsun Museum), em outubro de 1998, na qual recebeu o selo tradicional (carimbo) com seu nome-chinês: Moy Ka Lai To ( 加 柆 扗),que em inglês poderia significar “Struggle Harder.”
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